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História

O terremoto, um assassinato e as gangues: assim o Haiti chegou aos dias de hoje (parte 4)

As primeiras eleições livres, um golpe militar, o terremoto de 2010, a cólera, o assassinato de um presidente e uma capital nas mãos de gangues.

3 min de leitura · 28 de outubro de 2026
O centro de Porto Príncipe depois do terremoto de 12 de janeiro de 2010.
O centro de Porto Príncipe depois do terremoto de 12 de janeiro de 2010.Foto: UN Photo / Logan Abassi · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons · recortada.

Traduzido do artigo original em espanhol. Ler em espanhol

Um terremoto que em menos de um minuto matou mais de cem mil pessoas. Um presidente assassinado no próprio quarto. E uma capital nas mãos de gangues. Foi assim que o Haiti chegou aos dias de hoje.

Na [terceira parte](haiti-3.html) vimos a ocupação dos Estados Unidos e a ditadura dos Duvalier. Esta é a quarta e última parte.

A democracia que não durou

Depois da fuga de Baby Doc, em 1990, o Haiti fez suas primeiras eleições livres. Venceu um padre dos bairros pobres: Jean-Bertrand Aristide.

Mas menos de um ano depois de assumir, em setembro de 1991, um golpe militar o tirou do poder.

Ele voltou em 1994, com o apoio de milhares de soldados dos Estados Unidos. E em 2004, em meio a uma rebelião armada, teve de deixar o país outra vez.

Então chegou uma missão de paz da ONU, que ficou treze anos.

Capacetes azuis da missão de paz da ONU no Haiti (MINUSTAH).
Capacetes azuis da missão de paz da ONU no Haiti (MINUSTAH).Foto: Marinha do Brasil · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons_(53598268195).jpg).

O terremoto de 2010

Em 12 de janeiro de 2010, às 16h53, a terra tremeu. Um terremoto de magnitude 7, a cerca de 25 quilômetros de Porto Príncipe.

As estimativas de mortos vão de 100 mil a mais de 300 mil pessoas. Mais de um milhão de haitianos ficaram sem casa, e até o Palácio Nacional desabou.

O Palácio Nacional de Porto Príncipe, desabado depois do terremoto.
O Palácio Nacional de Porto Príncipe, desabado depois do terremoto.Foto: Kevin McManus · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons_in_Port-au-Prince..jpg).

As estimativas de mortos do terremoto de 2010 vão de 100 mil a mais de 300 mil pessoas.

A cólera

Meses depois veio outra tragédia: a cólera. Segundo várias investigações, ela foi trazida por capacetes azuis da ONU vindos do Nepal. Morreram mais de 9 mil pessoas, e em 2016 a ONU pediu desculpas.

Um presidente assassinado

Em 7 de julho de 2021, um comando formado principalmente por ex-militares colombianos entrou de madrugada na casa do presidente Jovenel Moïse, e o matou no próprio quarto.

Jovenel Moïse no dia em que assumiu a presidência, em 2017.
Jovenel Moïse no dia em que assumiu a presidência, em 2017.Foto: VOA Creole · Domínio público · Wikimedia Commons.

As gangues

Sem presidente e sem parlamento, as gangues ocuparam o vazio. Em 2024, muitas se uniram numa única aliança: Viv Ansanm, que em crioulo significa "viver juntos".

Hoje, segundo estimativas da ONU e de organizações humanitárias, as gangues controlam entre 80% e 90% da capital. E cerca de um milhão e meio de haitianos tiveram de fugir de casa.

As gangues controlam entre 80% e 90% de Porto Príncipe, segundo a ONU e organizações humanitárias.

A força contra as gangues

Em 2025, a ONU aprovou uma nova força contra as gangues. Mas em meados de outubro de 2026 ela tinha cerca de 1.500 efetivos, dos 5.500 autorizados.

Entre eles há soldados de El Salvador, enviados por Nayib Bukele. Em 18 de outubro, quatro deles desapareceram depois de uma emboscada, e seu paradeiro continua sem confirmação. Contamos isso [nesta notícia](../noticias/bukele-haiti.html).

Nayib Bukele cumprimenta soldados salvadorenhos em 2024.
Nayib Bukele cumprimenta soldados salvadorenhos em 2024.Foto: Casa Presidencial de El Salvador · CC0 · Wikimedia Commons.

E as eleições que estavam previstas para dezembro foram adiadas de novo, sem data.

Mais de dois séculos de história

Uma colônia que pagou pela liberdade. Uma dívida de cento e vinte e dois anos. Uma ocupação, uma ditadura, um terremoto e as gangues.

O Haiti não é pobre por acaso. É o resultado de mais de dois séculos de uma história que quase ninguém conta. Se você perdeu alguma coisa, aqui está a série completa: [parte 1](haiti-1.html), [parte 2](haiti-2.html) e [parte 3](haiti-3.html).

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Fontes (em espanhol)

  • Elecciones de 1990, golpe de 1991 y regreso de Aristide en 1994: EBSCO Research Starters, GlobalSecurity y Wikipedia (1991 Haitian coup d'état).
  • MINUSTAH (2004-2017): Naciones Unidas.
  • Terremoto del 12 de enero de 2010 (magnitud 7,0, 16:53, a unos 25 km de Puerto Príncipe; de 100.000 a más de 300.000 muertos según las estimaciones; derrumbe del Palacio Nacional): Wikipedia (2010 Haiti earthquake) y USAID.
  • Cólera: origen atribuido a cascos azules nepaleses, más de 9.300 muertos y disculpa de Ban Ki-moon el 1 de diciembre de 2016: Al Jazeera, Voz de América y Noticias ONU.
  • Asesinato de Jovenel Moïse (7 de julio de 2021): Wikipedia e Infobae.
  • Viv Ansanm y control del 80-90 % de la capital: Consejo de Seguridad de la ONU, Consejo Noruego para Refugiados, La Tercera y Diario Libre.
  • Desplazados (unos 1,5 millones), elecciones aplazadas y Fuerza de Supresión de Pandillas (1.563 efectivos de 5.500 al 12 de octubre de 2026): Noticias ONU (octubre de 2026), Diario Libre (19 de octubre de 2026) e Infobae (26 y 27 de octubre de 2026).
  • Soldados salvadoreños desaparecidos tras la emboscada del 18 de octubre de 2026: Infobae y Diario El Mundo (El Salvador).

As fotos são do Wikimedia Commons com licença livre; o autor e a licença aparecem abaixo de cada imagem. As ilustrações são próprias. Não usamos logotipos das marcas.